mosquitos
Por Cesar Baima e Antonella Zugliani / O Globo | 24às 10:00 - Atualizada em 24/ às 22:15
![]() |
| Diagrama mostra como a bactéria se espalha entre os mosquitos transmissores da dengue |
10 mil mosquitos serão liberados toda semana em bairro do Rio de Janeiro.
Nesta primeira fase de testes, cerca de 10 mil mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia serão liberados semanalmente pelos pesquisadores no bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. O número de mosquitos é similar aos protocolos dos experimentos feitos na Austrália, onde os testes já foram concluídos em várias localidades. As liberações acontecerão durante três a quatro meses, de acordo com a avaliação dos cientistas sobre a capacidade dos mosquitos com a bactéria natural de se estabelecerem no meio ambiente e se reproduzirem com os mosquitos que já existem no local, principais objetivos desta etapa inicial.
- Estamos diante de uma estratégia científica inovadora e segura, que poderá contribuir para o controle da dengue e para a melhoria da saúde da população – avalia Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz e líder do projeto no Brasil, que lembra que, uma vez no ambiente, os insetos contaminados com a bactéria a transmitem naturalmente para as gerações seguintes de mosquitos, tendo efeito parcial sobre a transmissão de chikungunya e febre amarela. - Assim, o método se torna autossustentável: os mosquitos com Wolbachia predominam sem que precisemos soltar constantemente mais mosquitos com a bactéria.
Cerca de 60% dos insetos no mundo, como o famoso pernilongo, têm presentes a Wolbachia, não existindo evidências de qualquer risco da bactéria para a saúde humana ou para o ambiente, garantem os pesquisadores. Ela pode ser transmitida apenas de mãe para filho, no processo de reprodução dos mosquitos, e não durante a picada do Aedes em um ser humano, por exemplo.
Moreira cita como outro exemplo da segurança do método o fato de que membros da equipe do programa na Austrália se voluntariaram para alimentar uma colônia de mosquitos com Wolbachia usando seus próprios braços.
- Eles foram picados centenas de milhares de vezes sem qualquer reação - diz.
MÉTODO ESTARÁ NO MERCADO ESTE ANO
A autossustentabilidade do método com a Wolbachia é apontada como uma das suas principais vantagens frente a outras alternativas que também usam o próprio mosquito transmissor da dengue para combater a doença. Entre estas opções está uma desenvolvida pela empresa britânica Oxitec e testada com sucesso em dois municípios baianos, no qual insetos machos geneticamente modificados para terem uma disfunção metabólica são soltos no ambiente. Ao cruzarem com fêmeas selvagens, os mosquitos transgênicos transmitem o defeito para a prole, que morre ainda na fase de larva, reduzindo assim a população de Aedes aegypti na área.
O método da Oxitec já recebeu o aval da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em abril passado e deverá estar disponível comercialmente até o fim deste ano. Para funcionar, no entanto, ele exige a constante liberação de novos insetos modificados no ambiente, o que não seria necessário no caso dos mosquitos com a Wolbachia. Mas o experimento com mosquitos contaminados realizado em uma ilha no Vietnã verificou que com o tempo sua proporção no ambiente começa a cair, o que também demandaria uma periódica liberação de mais insetos com a bactéria para que ela se mantenha em níveis considerados eficazes para prevenção da dengue, de cerca de 80%.
Segundo a Fiocruz, para diminuir o incômodo da população de Tubiacanga com a liberação dos mosquitos em seu bairro, os pesquisadores, em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, realizaram uma etapa chamada de supressão dos criadouros. O objetivo foi reduzir a quantidade de Aedes aegypti na região por meio da eliminação de criadouros confirmados do inseto e, assim, fazer com que o número total de mosquitos na área não sofra alteração.
- Buscamos com esta medida diminuir o desconforto para os moradores de Tubiacanga, que sempre apoiaram esta iniciativa científica – conta Moreira. - Ao nos aproximarmos do início dos estudos em campo, as ações de relacionamento com os moradores de Tubiacanga foram intensificadas para que fossem devidamente informados de todas as atividades. Somos extremamente gratos a essas pessoas que recebem toda semana nossas equipes em suas casas, contribuindo para um projeto que busca o benefício coletivo.
Além de Tubiacanga, o projeto vai se alastrar para Urca e Vila Valqueire, no Rio, e para Jurujuba, em Niterói. Dentre os fatores de escolha para os locais, está a ocorrência de mosquito o ano todo.
- A gente queria regiões que registrassem casos de dengue. Além disso, pensamos em uma diversidade socioeconômica e ambiental de locais onde o mosquito tivesse capacidade de se estabelecer. Todos esses locais são diferentes entre si - explica o responsável pela pesquisa.
Por Notícias Gerais | 30 - Atualizada em 30 às 23:31
Na tarde desta terça (29), a primeira fábrica brasileira de mosquitos da dengue foi inaugurada.Parece bizarro, mas trata-se de uma iniciativa que pode trazer grandes avanços à saúde pública. Isso porque os 2 milhões de Aedes aegypti produzidos por semana na fábrica são geneticamente modificados para não deixar descendentes.
O método já foi liberado pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) em abril, mas os insetos transgênicos ainda não podem ser comercializados - falta a autorização da Anvisa. Testes realizados na Bahia apontaram uma redução de 90% no total de mosquitos selvagens nas regiões em que os transgênicos forma introduzidos.
O serviço, segundo estimativa da Oxitec, empresa que fabrica os mosquitos, custa de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões para uma cidade de 50 milhões de habitantes.
Como funciona
Os mosquitos têm um gene extra em seu DNA que impede que seus descendentes cheguem à fase adulta. Eles morrem quando estão no casulo.
Apenas os machos transgênicos são soltos na natureza para copularem com as fêmeas selvagens, sem resultar em descendentes adultos. Só os machos são soltos porque eles não picam o ser humano.
Um vídeo publicitário da empresa mostra o mecanismo da técnica dos mosquitos transgênicos
Não devemos ficar com medo?
Segundo o site IFLScience, o maior risco de organismos geneticamente modificados é a hibridização, quando transgênicos começam a se misturar descontroladamente com outras espécies. No entanto, o site afirma que a técnica é segura porque os mosquitos transgênicos têm traços genéticos que não podem ser passados para humanos.
Por Agência Brasil | 11 às 11:40 - Atualizada em 11 às 12:26
Alunos do 3º ano do ensino médio do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) descobriram um extrato vegetal com alta eficiência como larvicida contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. O projeto começou a ser desenvolvido em 2013 na Coordenação de Ciências da instituição pela professora e bióloga Rosiane Leite, que orienta estudantes da educação profissional dentro de um programa de iniciação científica júnior.
No Brasil, existem muitas linhas de pesquisas para o combate à dengue, desde vacinas, odores, mosquitos transgênicos e seleção de extratos de plantas. Entretanto, o extrato da espécie Miconia sp. nunca havia sido testado para esse fim.
Há muitas espécies do gênero Miconia por todo o país, com nomes populares pouco conhecidos. A professora explica que, durante seu mestrado, estudou a interação das formigas com essa planta e que ela é mais conhecida entre os ecólogos, pois fornece frutos para os pássaros durante o ano todo.
Os alunos Bárbara Freitas e Gabriel Batista, que fazem curso técnico em construção civil, desenvolveram o extrato após vários testes, com o incentivo da professora e dos amigos. Rosiane Leite conta que comprou algumas vidrarias do próprio bolso e pediu a ajuda de familiares para comprar o álcool necessário aos testes, por causa do limite por pessoa para adquirir o produto.
Outro desafio foi conseguir as larvas do Aedes aegypti. Eles acabaram indo a campo e recolheram larvas pela vizinhança, conta a professora, explicando que houve dificuldade em fazer a seleção devido às diferentes espécies e estágios das larvas encontradas.
Com a apresentação do projeto na Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações do Cefet-MG, em 2013, o professor Fabiano Duarte Carvalho, da Fundação Oswaldo Cruz, propôs uma parceria e forneceu larvas específicas para os testes. Além disso, em agosto, Carvalho dará um treinamento para que os alunos possam criar suas próprias larvas.
Segundo a professora, será possível refazer os testes para a comprovação da eficácia do larvicida e então publicar o trabalho. “A dengue é uma preocupação bem antiga. Como educadora, sempre procuro mostrar a importância de não deixar água parada. Mesmo sendo escola básica, ainda é possível buscar soluções para minimizar os problemas, mesmo que seja em âmbito local”, disse Rosiane Leite.
No início deste ano, o projeto foi selecionado para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, que ocorreu em março, e foi premiado com a quarta colocação entre 40 projetos da área de biologia.
![]() |
| Reprodução/internet |
Alunos do 3º ano do ensino médio do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) descobriram um extrato vegetal com alta eficiência como larvicida contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. O projeto começou a ser desenvolvido em 2013 na Coordenação de Ciências da instituição pela professora e bióloga Rosiane Leite, que orienta estudantes da educação profissional dentro de um programa de iniciação científica júnior.
No Brasil, existem muitas linhas de pesquisas para o combate à dengue, desde vacinas, odores, mosquitos transgênicos e seleção de extratos de plantas. Entretanto, o extrato da espécie Miconia sp. nunca havia sido testado para esse fim.
Há muitas espécies do gênero Miconia por todo o país, com nomes populares pouco conhecidos. A professora explica que, durante seu mestrado, estudou a interação das formigas com essa planta e que ela é mais conhecida entre os ecólogos, pois fornece frutos para os pássaros durante o ano todo.
Os alunos Bárbara Freitas e Gabriel Batista, que fazem curso técnico em construção civil, desenvolveram o extrato após vários testes, com o incentivo da professora e dos amigos. Rosiane Leite conta que comprou algumas vidrarias do próprio bolso e pediu a ajuda de familiares para comprar o álcool necessário aos testes, por causa do limite por pessoa para adquirir o produto.
Outro desafio foi conseguir as larvas do Aedes aegypti. Eles acabaram indo a campo e recolheram larvas pela vizinhança, conta a professora, explicando que houve dificuldade em fazer a seleção devido às diferentes espécies e estágios das larvas encontradas.
Com a apresentação do projeto na Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações do Cefet-MG, em 2013, o professor Fabiano Duarte Carvalho, da Fundação Oswaldo Cruz, propôs uma parceria e forneceu larvas específicas para os testes. Além disso, em agosto, Carvalho dará um treinamento para que os alunos possam criar suas próprias larvas.
Segundo a professora, será possível refazer os testes para a comprovação da eficácia do larvicida e então publicar o trabalho. “A dengue é uma preocupação bem antiga. Como educadora, sempre procuro mostrar a importância de não deixar água parada. Mesmo sendo escola básica, ainda é possível buscar soluções para minimizar os problemas, mesmo que seja em âmbito local”, disse Rosiane Leite.
No início deste ano, o projeto foi selecionado para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, que ocorreu em março, e foi premiado com a quarta colocação entre 40 projetos da área de biologia.
Assinar:
Postagens (Atom)
Sejam bem-vindos! Hoje é
Popular Posts
-
Conheça as diferenças: Muriçoca tira o sono e o mosquito da dengue pode matarPor Assessoria de Comunicação da Sesa Selma Oliveira / Marcus Sá ( selma.oliveira@saude.ce.gov.br / 85 3101.5220 / 3101.5221 / 8733.82...
-
A Fundação Demócrito Rocha, juntamente com a universidade aberta do nordeste está disponibilizando curso de extensão universitária em Promoção da Equidade no SUSExtraído do site da Fundação Demócrito Rocha e editado pelo Blog Endemias de Icapuí | Atualizada em 03 /06/2014 às 17 :13 A Fund...
-
Primeiro caso de febre do Nilo no Brasil pode ser confirmado amanhãPor Agência Brasil | 05/12/2014 às 18:57 - Atualizada em 07/12/2014 às 22:07 Vítima não identificada tem 52 anos e estava internad...
-
Postos de saúde em Fortaleza ficam lotados com a vacinação contra o sarampoFoto: Tereza Tavares/TV Verdes Mares) Com o surto de sarampo no Ceará, onde a capital é onde se concentra o maior número de casos da do...
-
Prefeitura de Rio Preto-SP, realiza ação contra dengue no municípioPor Por: Abrahão Hackme - abrahaoh@bomdiariopreto.com.br às 22:07 | 17 /06/2014 - Atualizada em 18 /06/2014 às 11:10 Abner...
-
Dengue: uma ameaça cada vez mais preocupanteSurtos da dengue ocorrem antes do início da estação das chuvas. (Foto: Arquivo/Dom Total) Por María Victoria Ojea Um zumbido é o prime...
-
NOTA Á IMPRENSA SOBRE GASTOS FEDERAIS COM EDUCAÇÃO E SAÚDE EM CIDADES DA COPA DO MUNDOEm relação às notícias divulgadas nesta quinta-feira (9/1) sobre o estudo da organização Agência Pública, que comparou os recursos federai...
-
Ceará já tem mais de 4 mil casos de dengue em 2014Por G1/CE | 07 /06/2014 às 10:14 - Atualizada em 08 /06/2014 às 12:55 Até sexta-feira (6), Secretaria da Saúde confirmou 4....
-
A febre chikungunya já registra 16 casos no Brasil em 2014Por Agência Folhapress | 24 /09/2014 - Atualizada em 24/ 09/2014 às 15:26 Reprodução/internet Aumentou para 16 o núm...
-
Estudo alerta que dieta rica em proteína pode encurtar a vidaProteína animal pode elevar risco de morte em pessoas com menos de 65 anos (Thinkstock) Segundo pesquisa, pessoas abaixo de 65 anos qu...
Visualizações
Arquivo do Blog
Seguidores
Endemias de Icapuí de www.endemiasdeicapui.com está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
CR Frutas
Revendedora Natura










